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Trabalhadores do SAMU denunciam baixos salários e cobram valorização durante audiência na Assembleia

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Baixos salários, falta de pagamento do piso nacional e consórcios de saúde operando no prejuízo. Essas foram algumas das principais reclamações apresentadas por trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Os profissionais pediram aos parlamentares medidas urgentes para garantir melhores condições de trabalho e remuneração justa.

O condutor socorrista Marcos Vinícius Vaz, que atua em Raul Soares, na Zona da Mata, destacou a disparidade entre a responsabilidade da função e o valor recebido.

> “Eles colocam nas nossas mãos uma ambulância de 700 mil reais e querem pagar R$ 1.500 para a gente dirigir. A maioria dos condutores tem dois vínculos. Com R$ 1.500 hoje, você não vive”, criticou.

Outro ponto levantado foi o não pagamento integral do piso nacional da enfermagem. O técnico de enfermagem Wellington Teixeira relatou que a categoria trabalha 44 horas semanais, mas recebe por 42, e ainda depende de complementos salariais irregulares.

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> “Já que é um piso e é constitucional, que ele seja colocado na carteira de trabalho. Esse complemento parece migalha. A gente nunca sabe se vai receber ou até quando”, desabafou.

A diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde/MG), Núbia Dias, defendeu que os servidores do SAMU passem a integrar a carreira única do Sistema Único de Saúde (SUS).

> “Queremos que os trabalhadores do SAMU façam parte da carreira única do Ministério da Saúde. Assim, o piso será único e o recurso garantido. Mas é preciso o comprometimento do Estado para não retirar esse financiamento”, afirmou.

Atualmente, as despesas de custeio do SAMU são divididas entre União (50%), Estado (mínimo de 25%) e municípios (máximo de 25%). A gestão é feita por consórcios regionais de saúde, que enfrentam dificuldades financeiras.

A secretária executiva da Rede de Urgência Centro-Sul, Ormezinda Salgado, explicou que 80% dos gastos dos consórcios são com pessoal, o que deixa pouca margem para a administração.

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> “A gestão custa de 4,5% a 10% dos recursos, e mesmo assim conseguimos manter o serviço. Mas é um desafio grande com a folha de pagamento pesando tanto”, disse.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) ressaltou que a precarização dos trabalhadores afeta diretamente o atendimento à população.

> “A população tem o direito e o Estado tem o dever de oferecer o melhor serviço público. E isso é impossível sem valorização, sem salários dignos e sem carreira para os profissionais”, afirmou.

Já o subsecretário de Acesso a Serviço de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Renan de Oliveira, explicou que o governo estadual tem repassado 40% dos recursos ao SAMU, acima do percentual mínimo previsto. Ele reconheceu, porém, inconsistências nos pagamentos do piso salarial em 2023 e 2024.

> “Já informamos o Ministério da Saúde sobre essas inconsistências. Estamos aguardando o retorno para ajustar as contas e regularizar os repasses”, declarou.

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