Cultura

Serenata dos Tiso completa 50 anos e encanta moradores de Três Pontas

Publicado

em

A tradicional Serenata dos Tiso reuniu moradores de Três Pontas ontem à noite em um encontro que mistura música, memória e celebração. Realizada no cemitério da cidade, a iniciativa — que teve início em 1975 — celebrou meio século de uma tradição familiar que transformou o luto em festa e a ausência em encontro coletivo.

A história, segundo membros da família, começou com um pedido do tio Mário, violinista apaixonado por música e amizades. “Ele dizia sempre: ‘quando eu morrer, eu quero que seja feita uma serenata em frente onde eu fui sepultado’”. A partir desse desejo nasceu a prática de reunir músicos e vizinhos ao redor do túmulo da família Tiso para tocar, cantar e dançar em homenagem aos que partiram.

Ao longo dos anos a serenata ganhou corpo e memória: em 1995 a família publicou um livro — Os Tisos, sinônimo de festa, alegria e muita música — em uma tiragem de 300 exemplares, registrando histórias e canções que alimentam a tradição. Hoje, a Serenata dos Tiso é considerada um bem imaterial de Três Pontas, sem data fixa para acontecer e com repertório que não é ensaiado previamente — uma escolha consciente para imitar a vida, com seus encontros e desencontros, segundo os organizadores.

“Para um bom encontro tem que ter boa música”, resume um dos integrantes da família. A imprevisibilidade do repertório e a espontaneidade das apresentações são justamente o que preserva o caráter autêntico da iniciativa: a música como ponte entre gerações e como maneira de manter o amor vivo por quem já se foi.

A celebração deste ano trouxe novas vozes: Elis participou acompanhada do pai, da mãe e do primo, reforçando o desejo de que a tradição continue.

Propaganda

“Eu quero muito que isso continue, porque é uma coisa tão importante… espero que com as palavras a gente possa conquistar os jovens a continuar com essa música tão bonita da minha família”, disse ela, lembrando a origem e a pluralidade do clã — “uma família de ciganos, uma família italiana, que gosta muito de música”.

A iniciativa também tem sido reconhecida pela comunidade. “Nada mais justo que comemorar agora 50 anos dessa serenata, que é uma forma inusitada de homenagear, sobretudo, aqueles que já nos deixaram e que foram referência para nós”, afirmam os Tiso, ressaltando que a cerimônia é ao mesmo tempo homenagem e festa: “a gente dança, a gente não se cansa”.

Ao encerrar a noite, as vozes longevas da família e dos visitantes se misturaram em versos e acordes — uma das marcas da serenata que, nas palavras de um dos presentes, deixa uma certeza simples e poderosa: “E dizer que eu sei que vou te amar”. Em Três Pontas, 50 anos depois, a música segue cumprindo o papel de tecer memória e afetos.

Destaques

Sair da versão mobile