Utilidade pública
Governo avalia retorno do horário de verão em 2025 para aliviar picos de energia
Desde 2019 o Brasil deixou de aplicar o horário de verão, medida que adiantava os relógios em uma hora durante parte dos meses mais quentes, geralmente entre outubro e fevereiro, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Agora, em meio a preocupações com o abastecimento de energia e com o aumento da demanda elétrica no fim do dia, o governo federal estuda retomar o horário de verão já em 2025.
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Situação atual
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) incluiu em seu Plano da Operação Energética (PEN 2025) a recomendação de que o horário de verão seja considerado como uma alternativa para aliviar a pressão sobre o setor nos horários de pico — especialmente entre 18h e 21h, quando a geração solar e outras fontes renováveis deixam de produzir.
O Ministério de Minas e Energia (MME) tem afirmado que avalia o retorno da medida de forma cautelosa, analisando variáveis como níveis de reservatórios, custos e impactos sociais.
Pesquisa de opinião recente mostra que há uma parcela significativa da população favorável ao retorno, principalmente nas regiões que eram historicamente atingidas: Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Por outro lado, uma boa parte também expressa dúvidas ou rejeição.
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Benefícios apontados
1. Economia de energia
Um dos argumentos centrais é que, com dias mais longos, haveria menor necessidade de iluminação artificial no fim do dia, reduzindo o consumo elétrico justamente nos momentos de pico.
2. Menor acionamento de usinas térmicas
Quando a geração solar diminui (ao entardecer), sem alternativas, é comum recorrer a fontes térmicas, de custo mais alto e com maior emissão de poluentes. O horário de verão poderia adiar o pico para períodos com mais luz natural.
3. Estimulo ao comércio e lazer
Com luz até mais tarde, lojas, bares, restaurantes e espaços de lazer teriam maior movimento, o que pode gerar ganhos econômicos.
4. Segurança e uso urbano
Algumas pessoas relatam sentir-se mais seguras com a luz do dia estendida no fim de tarde, além de possibilitar mais atividades ao ar livre depois do trabalho.
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Desafios e críticas
1. Adaptação biológica e impacto na saúde
Mudanças de horário alteram os ritmos de descanso, podendo afetar sono, humores, produtividade, especialmente no início do período de adaptação.
2. Diminuição da eficácia ao longo dos anos
Há quem afirme que os ganhos de economia de energia foram perdendo relevância, em parte por mudanças nos hábitos de consumo, maior uso de aparelhos que exigem energia mesmo com luz natural, e por melhorias na eficiência energética.
3. Impacto desigual entre regiões
Regiões Norte e Nordeste historicamente não aderiam ao horário de verão porque a variação de luminosidade entre estações é menos expressiva, de modo que os benefícios lá seriam menores.
4. Custo social e logístico
A mudança no relógio causa inconvenientes: reajuste de relógios, possíveis confusões nos transportes, jornadas de trabalho, adaptação das rotinas, impactos em agricultura ou nas atividades que dependem diretamente da luz natural no início do dia, entre outros.
Prazos e o que se sabe até agora
Não há confirmação oficial de data de início, mas há menções no debate público e em reportagens de que, se adotado, o horário de verão começaria em 1º de novembro de 2025 e terminaria em meados de fevereiro de 2026.
O retorno dependerá de indicadores como os reservatórios, demanda projetada de energia, crescimento da geração solar, entre outros. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) está acompanhando para subsidiar a decisão do governo.
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Cenários e o que está em jogo
Se for adotado, espera-se que o horário de verão auxilie na redução de custos com geração de energia, alivie pressões no sistema elétrico nos momentos críticos, e tenha consequências positivas para setores que dependem de luz natural no fim do dia.
Se não for adotado, o governo precisará buscar outras soluções complementares para garantir segurança energética: maior investimento em eficiência, ajustes tarifários, expansão da geração renovável, e políticas específicas para gerenciar picos de demanda.
Considerações finais
A volta do horário de verão em 2025 não é uma certeza, mas uma opção que volta ao centro do debate diante de desafios do setor elétrico e do cenário climático. Do ponto de vista técnico, pode ajudar – mas os ganhos dependem de muitos fatores, e as desvantagens precisam ser levadas em conta.
Para a população, terá impacto prático no dia a dia: rotinas, sono, hábitos, economia doméstica. Por isso, se confirmado, será fundamental uma boa comunicação pelo governo, clareza quanto às datas, quem será afetado, e quais medidas de transição serão adotadas.