Política
Gabriel Azevedo defende ferrovias, investimentos no Sul de Minas e diálogo com governo federal durante visita a Três Pontas
Pré-candidato ao governo de Minas Gerais esteve em Três Pontas e apresentou propostas para infraestrutura, segurança, saúde, educação e apoio ao produtor rural
O candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo esteve em Três Pontas nesta quinta-feira e participou de uma entrevista ao vivo no 3Ponto Studio Live, na Praça Cônego Vítor. Durante a passagem pela cidade, o político apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual e destacou a importância do Sul de Minas na economia mineira.
Um dos principais pontos defendidos por Azevedo foi a ampliação da malha ferroviária de Minas Gerais. Segundo ele, o objetivo é conectar o Sul de Minas aos portos, facilitando o transporte da produção, especialmente do café, e reduzindo a dependência do transporte rodoviário.
“Eu quero ser o governador das ferrovias”, afirmou o candidato durante a entrevista. Para ele, a utilização dos trilhos poderia aumentar a competitividade do café mineiro no mercado internacional e, no retorno dos vagões, possibilitar o transporte de alimentos, contribuindo, segundo sua avaliação, para a redução dos custos ao consumidor.
Azevedo afirmou ainda que seu plano de governo prevê 15 ferrovias consideradas prioritárias e disse que pretende buscar recursos junto ao governo federal para viabilizar os projetos. De acordo com o candidato, haveria R$ 20 bilhões disponíveis no governo federal para projetos ferroviários apresentados pelos estados.
O político também ressaltou que a implantação de uma ferrovia completa não seria concluída durante apenas um mandato de quatro anos. Segundo ele, a proposta é iniciar projetos de longo prazo que possam beneficiar futuras gerações.
Diálogo com o governo federal
Ao falar sobre a dívida de Minas Gerais com a União, Azevedo defendeu uma postura de diálogo entre o governo estadual e o governo federal, independentemente de posições partidárias.
“Governador não é eleito para bater no presidente”, declarou. Na avaliação dele, o chefe do Executivo estadual precisa negociar com o governo federal para conseguir recursos e avançar em investimentos.
O candidato citou, durante a entrevista, uma dívida de R$ 179,3 milhões reconhecida por Minas Gerais em dezembro de 2025 — valor mencionado por ele na entrevista — e defendeu a manutenção de uma negociação que permita o parcelamento sem juros.
Azevedo também afirmou que é necessário controlar os gastos públicos e disse que o governo estadual estaria deixando um déficit de aproximadamente R$ 7 bilhões para o próximo ano. Ele comparou a situação atual com o cenário encontrado pelo governador Romeu Zema ao assumir o cargo e fez críticas à gestão estadual.
Estradas e pedágios
A situação das rodovias mineiras também foi apontada como um dos principais desafios do estado.
O candidato criticou o que classificou como “pedágios caros” associados à manutenção de estradas que, segundo ele, continuam apresentando problemas. Para mudar esse cenário, apresentou três propostas: alteração do modelo de licitação, valorizando critérios de engenharia e qualidade; criação de um anuário com informações transparentes sobre os trechos rodoviários; e ampliação do transporte ferroviário de cargas.
Na visão de Azevedo, o fortalecimento das ferrovias poderia reduzir a pressão sobre as rodovias, diminuindo o volume de cargas transportadas por caminhões.
Apoio ao produtor de café
Em Três Pontas, cidade conhecida pela produção cafeeira, o candidato dedicou parte da entrevista às propostas para o setor rural.
Azevedo afirmou que pretende priorizar o fornecimento de energia elétrica para o campo, melhorar as estradas e ampliar o acesso do produtor rural ao crédito. Também defendeu o uso de instituições de pesquisa, universidades e centros tecnológicos para aumentar a produtividade no campo.
Entre as instituições citadas por ele estão a Cemig, Fapemig e Epamig.
“A Cemig é do povo”, afirmou, ao defender que a companhia tenha como prioridade o fornecimento de energia para a produção rural. O candidato também disse que pretende investir em tecnologia e inovação para auxiliar os produtores.
Sobre sua relação com o campo, Azevedo afirmou que nasceu em Belo Horizonte e que não pretende se apresentar como produtor rural. Segundo ele, o papel do governo deve ser respeitar e apoiar quem trabalha no setor.
Segurança pública
Na área da segurança pública, Azevedo defendeu a integração das forças policiais e a criação de um centro integrado de inteligência.
Durante a entrevista, Paulo Brant, ex-vice-governador de Minas Gerais e citado como integrante do grupo político de Azevedo, também falou sobre sua relação com as forças de segurança.
Brant relatou um episódio envolvendo uma negociação sobre reajuste para profissionais da segurança pública. Segundo ele, um projeto negociado com as categorias foi aprovado pela Assembleia Legislativa, mas posteriormente vetado pelo governador, situação que, conforme seu relato, contribuiu para sua saída do partido Novo.
Azevedo afirmou que pretende trabalhar em conjunto com a Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar.
Educação e saúde
Para a educação, o candidato defendeu mudanças no ensino médio com foco em aprendizagem e qualificação profissional. A proposta, segundo ele, é preparar os jovens para a entrada no mercado de trabalho.
Na saúde, Azevedo afirmou que pretende ampliar a capacidade de atendimento e evitar que pacientes precisem ser transportados de uma unidade para outra por falta de estrutura.
Ele também defendeu que o acesso ao tratamento de saúde seja garantido independentemente da condição financeira do paciente.
Trajetória política
Durante a entrevista, Gabriel Azevedo apresentou sua trajetória pessoal e política aos moradores de Três Pontas.
Segundo o próprio candidato, ele tem 40 anos, nasceu em Belo Horizonte, é filho de uma professora de Araguari e de um policial de Pirapora. Azevedo afirmou ter três graduações, dois mestrados e estar cursando doutorado em Direito Ambiental.
Na vida pública, disse ter 20 anos de atuação, tendo sido vereador por dois mandatos em Belo Horizonte e presidente da Câmara Municipal. Também afirmou que sua trajetória política não possui registros de corrupção.
Busca por novos eleitores
Azevedo afirmou durante a entrevista que possui baixa rejeição nas pesquisas e reconheceu que ainda é pouco conhecido por parte do eleitorado mineiro.
Segundo ele, uma parcela significativa dos eleitores ainda não teria decidido em quem votar para o governo de Minas. O candidato disse que pretende ampliar sua presença no estado e apresentar seu plano de governo aos eleitores.
Ao final da entrevista, Azevedo voltou a destacar sua proposta de construir uma política baseada no diálogo e em projetos de longo prazo.
Durante a visita a Três Pontas, ele também fez uma passagem pela Praça Cônego Vítor e afirmou ter ido ao local para pedir a bênção do beato Padre Vítor. O candidato encerrou a agenda reforçando a intenção de levar suas propostas a outras cidades mineiras.