Direito

Agosto Lilás: quando a violência doméstica pode terminar em feminicídio

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Por Millena Vieira – Advogada

 

Agosto é marcado pelo Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Mais do que vestir a cor lilás ou compartilhar uma campanha nas redes sociais, este é um período para falar sobre uma realidade que ainda destrói famílias, interrompe histórias e, em seus casos mais extremos, tira a vida de mulheres: o feminicídio.

 

A violência doméstica nem sempre começa com uma agressão física. Muitas vezes, começa de maneira silenciosa: uma ameaça, uma humilhação, o controle das roupas, das amizades, do dinheiro, do celular, dos lugares que a mulher frequenta. Pode aparecer como ciúme excessivo, isolamento, perseguição ou como a tentativa de convencer a vítima de que ela não é capaz de viver sem o agressor.

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Esses comportamentos não devem ser normalizados.

 

A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência contra a mulher no âmbito doméstico e familiar, incluindo a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Isso significa que violência não é apenas aquilo que deixa marcas visíveis no corpo.

 

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E existe uma questão que precisa ser dita com clareza: o feminicídio muitas vezes está inserido em um histórico de violência e dominação contra a mulher.

 

Quando uma mulher é ameaçada, perseguida, agredida ou constantemente intimidada, não estamos diante de uma simples “briga de casal”. Estamos diante de uma situação que pode exigir intervenção, proteção e atuação da rede de enfrentamento à violência.

 

Por isso, reconhecer os sinais pode salvar vidas.

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É importante também romper com uma ideia perigosa: a de que a vítima deve permanecer em silêncio para “preservar a família”. Não existe família protegida quando uma mulher vive com medo dentro da própria casa.

 

Denunciar não é destruir uma família. É buscar proteção para quem está sendo violentada.

 

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A violência doméstica também afeta os filhos. Crianças e adolescentes que convivem com um ambiente de agressões, ameaças e medo podem carregar consequências profundas, mesmo quando não são diretamente agredidos.

 

Por isso, o enfrentamento à violência contra a mulher não é responsabilidade apenas da vítima. É responsabilidade da sociedade, da família, dos amigos, das instituições e do poder público.

 

Neste Agosto Lilás, precisamos ir além das campanhas bonitas.

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Precisamos ouvir sem julgar.

Precisamos acreditar nas vítimas.

Precisamos reconhecer os sinais.

Precisamos orientar.

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Precisamos denunciar quando necessário.

E, principalmente, precisamos entender que violência doméstica não é problema de casal. É uma questão de direitos humanos e de proteção à vida.

 

O feminicídio é o extremo de uma violência que, muitas vezes, começou muito antes.

 

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Por isso, falar sobre violência doméstica é também falar sobre prevenção do feminicídio.

 

Que o Agosto Lilás não seja apenas um mês de conscientização, mas um convite para que todos os dias sejamos capazes de identificar a violência, combater a cultura que a normaliza e ajudar mulheres a romperem ciclos de medo e sofrimento.

 

Nenhuma mulher deveria precisar esperar a violência chegar ao extremo para ser protegida.

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Violência contra a mulher não é amor. Não é cuidado. Não é ciúme. Não é problema de casal. É violência.

 

E diante da violência, silêncio não protege. Informação, acolhimento e proteção podem salvar vidas.

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